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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

O Dia em que a Esquerda Perdeu e a Verdadeira Democracia Ganhou!

A posse de Porfirio Lobo Sosa ontem, novo presidente de Honduras, encerra uma crise de sete meses, que teve início com a deposição CONSTITUCIONAL de Manuel Zelaya, no dia 28 de junho do ano passado. Os que me leem - e a muitos outros blogueiros - sabem o que verdadeiramente ocorreu: Chávez, o comunista venezuelano, começou a grita e as esquerdas, unidas no Foro de São Paulo, o seguiram - e até alguns bocós, que nada tinham a ver com aquela entidade maligna, creram neles e deram sustentação à farsa.

E, a partir daí, todos - praticamente sem exceção - passaram a chamar a deposição de Zelaya de "golpe de Estado", a despeito da clareza com que a Constituição daquele país indicava que o verdadeiro golpista era Zelaya!

Até os EUA, notórios defensores da democracia, engrossaram o coro dos que queriam a volta do golpista Zelaya, congelando fundos de assistência e cancelando o visto de hondurenhos comprometidos com o "golpe".

Poucos países sofreram cerco semelhante - e nenhuma democracia passou por algo parecido. Honduras, porém, seguiu sendo o que realmente é hoje: uma democracia! As eleições, cujo calendário havia sido decidido antes da tentativa de golpe de Zelaya, foram mantidas, não se votou uma só lei de exceção, os Poderes Constituídos mantiveram a sua autonomia e as suas prerrogativas, não houve cassações, não se fizeram prisões políticas e, mais importante que tudo isso, a maioria do povo hondurenho, consciente do valor da verdadeira democracia, apoiou firmemente a decisão de manter o ex-presidente golpista longe do poder.
Aproveitando todo este distúrbio, Hugo Chávez decidiu patrocinar pessoalmente a volta de Zelaya, invadindo o espaço aéreo hondurenho, mas seu intento deu com os burros n'água. E tentou novamente, com o auxílio do Brasil, da Nicarágua e de El Salvador, conseguindo, finalmente, instalar o ex-presidente golpista na embaixada brasileira.

Mas o tempo, senhor e dono absoluto da Verdade e da revelação das mentiras e trapaças feitas pelas esquerdas para a tomada do poder, foi passando e parte da imprensa, daqui e do mundo - e até muitos governos que anteriormente condenaram o falso "golpe" -, começou a fazer aquilo que fizemos aqui: ler a Constituição de Honduras!, afinal esta Carta é que assegura as leis naquele país, assim como a Constituição brasileira assegura nossas leis.

E o apoio do "império", que até então era crucial para as pretensões esquerdistas, ruiu: quando Daniel Ortega, outro membro do Foro de São Paulo e apoiador de Chávez e Zelaya, deu um golpe na Constituição da Nicarágua e fez a Corte Suprema declarar sem efeito parte do texto para, também ele, tentar se eternizar no poder, a ficha de Washington finalmente caiu e até eles resolveram ler e passar a respeitar a Constituição hondurenha!!!

A posse de Lobo, em eleições ABSOLUTAMENTE DEMOCRÁTICAS, expõe a diplomacia brasileira à vergonha como nunca antes nestepaiz, uma vez que Lula e seus "red caps" resolveram não reconhecer sua vitória, além do ridículo a que está submetida a OEA, sob o jugo do esquerdista Jose Miguel Insulza, o qual previa um banho de sangue caso Zelaya não retornasse ao poder!

O que se viu nesta conspiração esquerdista, capitaneada pelos principais membros do Foro de São Paulo, foi apenas parte de seu "modus operandi" de tomada de poder. Zelaya, que se bandeara para o lado deles, tinha que ser reempossado, pois fora eleito pela maioria do povo hondurenho e, durante os meses em que esta crise durou, eles repetiram o mantra de que não se pode depor um presidente eleito.

Não? Nem se ele desrespeitar flagrantemente a Constituição do país que assumiu?

Ora, neste caso é uma questão de DEVER e não de poder, afinal, cada país tem a sua Constituição, e a do Brasil não pode ser aplicada em Honduras - e vice-versa. E em Honduras, ouvidos o Congresso e a Corte Suprema, guardiães da Constituição daquele país, houve o julgamento: Zelaya afrontou as leis e tinha que ser deposto. Legalmente. Conforme manda a Constituição.

E esta derrota dos esquerdistas é apenas a ponta do iceberg da queda do Foro de São Paulo: até Fidel escreveu que temia que o "golpe" hondurenho servisse de exemplo para outros países na na América Latina!

Chávez, arrasa a Venezuela. Cada vez mais, ele depende do apoio dos militares para governar, pois o povo que o elegeu protesta todos os dias contra sua ditadura escancarada - e isto é o que ele é, um ditador, a despeito de Lula ter dito que na Venezuela "há democracia até demais".

Aqui no Brasil, o PT e seus associados, temem a derrota da terrorista e mentirosa (tudo bem, eu sei que falar "esquerdista mentiroso" é um pleonasmo vicioso, mas, vá lá, é sempre melhor dar uma força à Verdade) Dilma Rousseff: fazem de tudo e tentam retirar nossas liberdades com o PNDH III, CONFECOM e "CONACUL".

E o domínio esquerdista pode estar começando a ruir: o povo não é completamente bobo. E já começa a entender os planos de dominação esquerdista.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Morre o Golpe ou Morrem as Constituições

O ex-presidente cubano Fidel Castro afirmou em novo artigo que a América Latina corre o risco de ser assolada por uma onda de golpes de Estado militares se o presidente de Honduras deposto, Manuel Zelaya, não for restituído.

Em sua coluna publicada na noite de sexta-feira, 10, Fidel disse que, dependendo do resultado da crise política hondurenha, líderes militares direitistas treinados pelos EUA poderiam voltar suas armas contra os governos.

"Se o presidente Manuel Zelaya não foi reintegrado ao cargo, uma onda de golpes de Estado ameaça varrer muitos governos da América Latina, que estará à mercê dos militares de extrema direita, educados com a doutrina de segurança da Escola das Américas", escreveu Fidel em mais uma de sua Reflexões, intitulada "Morre o golpe ou morrem as Constituições".

O líder cubano refere-se à escola militar americana responsável pelo treinamento de milhares de soldados e oficiais latino-americanos. Fidel reforça o argumento usado por Zelaya de que é um "direito dos povos da América Latina eleger os seus governantes", e por isso o presidente deposto deveria ser reconduzido ao cargo.

O líder cubano afirma ainda que Washington pressionou Zelaya para negociar um "humilhante perdão" pelas ilegalidades que é acusado pelo governo golpista, e que o país está "ocupado pelas Forças Armadas dos EUA", que possuem uma base militar no local.

No artigo, Fidel assegura que enquanto o presidente americano, Barack Obama, declarava que o único presidente constitucional de Honduras é Zelaya, "em Washington, a extrema direita manobrava para que [Zelaya] negociasse um humilhante perdão". "Era óbvio que tal ato significaria entre os seus e no mundo o seu desaparecimento da cena política".

(...)

no Estado de São Paulo.

Comento:
Ah! Este é o medo deles: que haja uma onda de "golpes" que defenda a verdadeira democracia em cada país onde os membros comuno-esquerdistas do Foro de São Paulo são governantes e faça com que seus desejos de formar a "Pátria Grande" comunista sejam interrompidos.

Ademais, quem é Fidel para falar em "direito dos povos da América Latina eleger os seus governantes"?

Ele sempre governou com mãos de ferro a ilha caribenha e nunca permitiu, nos 50 anos em que foi ditador, uma eleição verdadeiramente democrática, já que em Cuba somente existe um partido político - e sempre houve 662 políticos inscritos para as "eleições" a fim de preencherem as 662 cadeiras do Congresso.

Se Fidel - e os demais governantes que falam em "golpe" - respeitassem verdadeiramente a democracia e a Constituição hondurenha, saberiam que é proibida em cláusula pétrea qualquer tentativa de modificar o modelo eleitoral naquele país, e que, por isso, Zelaya perdeu, automaticamente, seus direitos políticos, como bem podemos verificar no artigo 239 da Constituição hondurenha, que diz que "o cidadão que tenha desempenhado a titularidade do Poder Executivo não poderá ser Presidente ou Designado. Aquele que ofender esta disposição ou propuser sua reforma, bem como aqueles que a apóiem direta ou indiretamente, terão cessados de imediato o desempenho de seus respectivos cargos e ficarão inabilitados por dez anos para o exercício de toda função pública".

No Título VII, "Da Reforma e da Inviolabilidade da Constituição", Capítulo I, "Da Reforma da Constituição", o artigo 374 prescreve a cláusula pétrea da impossibilidade de reeleição nos seguintes termos: "Não se poderá reformar, em nenhum caso, o artigo anterior [ trata da reforma da constituição ], o presente artigo, os artigos constitucionais que se referem à forma de governo, ao território nacional, ao prazo do mandato presidencial, à proibição para ser novamente Presidente da República, o cidadão que o tenha exercido a qualquer título e o referente àqueles que não podem ser Presidentes da República no período subseqüente."


Aqui está evidente a cláusula pétrea que proíbe a reeleição de Presidente da República.

O artigo 4º é de clareza solar ao definir, constitucionalmente, o delito contra a alternância do poder: "A forma de governo é republicana, democrática e representativa. É exercido por três poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário, complementares e independentes e sem subordinação. A alternância no exercício da Presidência da República é obrigatória. A infração desta norma constitui delito de traição à Pátria."

Embora Zelaya não tenha infringido esta norma, queria e precisava alterá-la, e, para tanto, tentou o golpe sob a forma de um referendo popular para modificá-la - no que foi detido pelos militares a mando da Corte Suprema.

No Capítulo III, "Dos Cidadãos", o artigo 4º estabelece: "A qualidade de cidadão perde-se: (...) 5. Por incitar, promover ou apoiar o continuísmo ou a reeleição do Presidente da República;".

Por outro lado, o artigo 238 arrola os requisitos necessários para ser Presidente do seguinte modo: "Para ser Presidente ou Designado à Presidência, requer-se: (...) 3. Estar no gozo dos direitos de cidadão;".

Aqui, uma enorme dificuldade constitucional para Zelaya. Talvez a maior blindagem contra a reeleição. A prova do fato, no caso, notório, de conhecimento geral de que promovia e lutava por seu próprio continuísmo, faz perder a cidadania, um dos requisitos essenciais não só para assumir o cargo, mas também para manter-se como Presidente da República.

O artigo 245 esclarece "o Presidente da República detém a administração geral do Estado: são suas atribuições: 1. Cumprir e fazer cumprir a Constituição, os tratados e convenções, leis e demais disposições legais". (...) "16. Exercer o comando em Chefe das Forças Armadas em seu caráter de Comandante Geral, e adotar as medidas necessárias para a defesa da República;".

No Capítulo X, "Das Forças Armadas", o artigo 272 dispõe que "As Forças Armadas de Honduras são uma Instituição Nacional de caráter permanente, essencialmente profissional, apolítica, obediente e não deliberante. São constituídas para defender a integridade territorial e a soberania da República, manter a paz, a ordem pública e o império da Constituição, os princípios do livre sufrágio e a alternância no exercício da Presidência da República."

Note-se que o Presidente é o comandante supremo das Forças Armadas. Estas devem obediência ao Chefe de Estado, na medida em que este obedeça a Constituição e, no caso, esta obriga expressamente que as Forças Armadas defenda a alternância do exercício da Presidência da República. No momento em que o presidente pretende a permanência por meio da reeleição, descumprindo as normas constitucionais e decisões da Corte Suprema de Justiça de Honduras, a ordem de prisão emanada por este Tribunal haveria de ser cumprida.

Os fatos e o conjunto das disposições constitucionais citadas mostram que, em Honduras, não houve golpe de Estado. Hans Kelsen ensinava que o golpe de Estado "instaura novo ordenamento jurídico, dado que a violação do ordenamento precedente implica também na mudança da sua norma fundamental e, por conseguinte, na invalidação de todas as leis e disposições emanadas em nome dela". Trata-se de poder de fato a impor-se contra a ordem jurídica em vigor, instituindo novo ordenamento.

Em Honduras, o modelo comunista do ex-presidente Zelaya - apoiado pelo "socialismo do século XXI" do bolivariano Hugo Chávez - foi repelido graças a uma Constituição fortemente aramada contra a tentação do continuísmo e do caudilhismo latino-americano. Lá se evitou o golpe e se defendeu a Constituição e a lei - e, portanto, a verdadeira democracia, coisa que Fidel e os demais membros do Foro de São Paulo, não respeitam em hipótese alguma!

Assim, o título que Fidel deu a seu artigo ("Morre o Golpe ou Morrem as Constituições") é profundamente verdadeiro, mas, como tudo o que os esquerdistas fazem, é pelos motivos errados.

Zelaya era o golpista. A Suprema Corte, na defesa de sua democracia e da Constituição do país, o depôs. Se Zelaya voltar, como querem seus apoiadores, morrerá a Constituição e a democracia de Honduras.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Cuba: A Verdadeira Face que as Esquerdas Sempre Negam!

Seu pouco mais de 1,50m de altura e o tom de voz suave não refletem a fortaleza humana que lhe permitiu suportar 15 anos longe do filho e dos dois netos. Menos de uma semana após ter se reencontrado com a família em Buenos Aires, a médica cubana Hilda Molina, de 66 anos, não se cansa de agradecer a mediação da presidente Cristina Kirchner e de denunciar a violação dos direitos humanos em seu país. “Me disseram que eu nunca sairia de Cuba porque meu cérebro era patrimônio do país”, contou à correspondente do GLOBO em Buenos Aires, Janaína Figueiredo, a neurocirurgiã, que nos anos 90 renunciou à direção do Centro Internacional de Restauração Neurológica de Havana e foi alvo de uma perseguição política que a impediu de sair da ilha.

A senhora obteve autorização para viajar duas semanas antes de uma eleição legislativa decisiva para o governo Kirchner...
HILDA MOLINA: Não sabia de nada e ainda não estou muito informada sobre isso. Fui liberada pelo governo cubano e não pelo governo argentino, mas devo dizer que o ex-presidente (Néstor) Kirchner me ajudou muito, desde o início de seu governo.

Por que a senhora se distanciou do governo cubano, em 1994?
MOLINA: Basicamente, porque não estava de acordo com a política de tratar estrangeiros no centro onde trabalhava. Para mim a prioridade eram os doentes cubanos. Desde então fui perseguida e, quando meu primeiro neto nasceu, aqui na Argentina, impediram minha saída do país. Funcionários do governo cubano me disseram que eu nunca sairia de Cuba porque meu cérebro era patrimônio do país.

A senhora pensa em voltar?
MOLINA: O que eu gostaria seria voltar com minha mãe, mas ela tem 92 anos e problemas de coração. Gostaria de realizar esse sonho, mas se não puder o governo cubano sabe que posso pedir uma prorrogação da permissão para ficar aqui.

Como a senhora definiria o regime cubano?
MOLINA: Como uma ditadura totalitária, de perfil stalinista.

A maioria dos presidentes estrangeiros que visitam a ilha não se reúne com os dissidentes...
MOLINA: Como uma pessoa que teve seus direitos violados, respeito os direitos e as decisões de cada pessoa. Mas acho que, nos casos dos países que viveram ditaduras, os opositores dessas ditaduras ficavam muito felizes quando recebiam o respaldo de pessoas de outros países. Se recebêssemos pelo menos um respaldo moral, nos sentiríamos mais acompanhados.

A senhora se sente decepcionada com os governos da região?
MOLINA: Os dissidentes cubanos precisam do mesmo apoio que eles (os governos) receberam quando eram opositores de suas ditaduras: o presidente Lula e todos os que enfrentaram uma ditadura.

Por que Cuba recebe tanto apoio internacional?
MOLINA: Muitos presidentes se sentem pressionados psicologicamente, sentem que qualquer crítica poderia alterar a estabilidade de Cuba. E outros acham que esta atitude positiva em relação ao governo cubano é a melhor maneira de promover a abertura do país, estratégia que considero totalmente equivocada. Por outro lado, os governos populistas eleitos nos últimos anos querem perpetuar-se no poder como fez o governo cubano.

A senhora se refere ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez?
MOLINA: Não vou dar nomes, não quero brigar com mais ninguém (risos).

Qual é a sua opinião sobre a aliança do presidente Chávez com Fidel?
MOLINA: Chávez é aluno de Fidel Castro, ele mesmo diz isso. Depois de ter saído da prisão, Chávez visitou Cuba e foi recebido com honras de chefe de Estado — isso muito antes de assumir o poder. Isso sempre chamou minha atenção, nunca entendi por que tanto protocolo para uma pessoa que não era ninguém. Hoje entendo que havia um plano. Fidel foi seu mentor e Chávez está transformando a Venezuela numa nova Cuba.

Como a senhora explica a resistência de Cuba a retornar à Organização dos Estados Americanos?
MOLINA: O problema é que Cuba deveria aceitar uma série de condições — por exemplo, em relação aos direitos humanos — que não quer aceitar.

O que representa Fidel Castro para a senhora?
MOLINA: Ele foi o carrasco da minha família.

A posse de Raúl Castro despertou grande expectativa...
MOLINA : A abertura não ocorreu porque Fidel não a permitiu. Os discursos iniciais foram promissores, chegamos a pensar que seria anulado o sistema de concessão de autorizações para viajar. Mas nada disso. Foi permitido apenas comprar computadores, celulares e ter acesso a hotéis de luxo.

Mas com que dinheiro?
MOLINA: São duas pessoas diferentes, mas o governo é o mesmo. Raúl Castro tem os pés sobre a terra, mas Fidel continua lá, mandando.


Quando em 1994 me desvinculei, por vontade própria, do sistema político imposto em meu país, estava convencida de que teria que percorrer um longo e doloroso calvário. Hoje, quase 15 anos depois, posso afirmar que a realidade superou, com juros, todas as avaliações daquele momento, porque os que nos decidimos a enfrentar pacificamente a este governo, nos expusemos, não só a sua nefasta repressão, como também às agressões do conjunto de verdugos nacionais e forasteiros que o auxiliam. Pois se trata de um governo onipotente, que durante meio século tem exigido, irracionalmente, que os habitantes desta ilha, sem exceção, pensemos, sintamos, falemos e atuemos segundo os seus desígnios.

É que o ódio e a intolerância, meticulosamente semeados durante 50 anos, influenciaram perniciosamente os integrantes desta sociedade enferma. Este governo – e seus cúmplices de outras regiões do planeta – não aceitam nem respeitam as diferenças em Cuba. Tratam a população do país, não como membros legítimos da humanidade pensante, mas como um rebanho de escravos alienados, incapazes de pensar, sentir, falar livremente e de decidir seus próprios destinos. Porque o comunismo cubano com seus tentáculos – ao comprometer, alugar e comprar consciências – conseguiu internacionalizar seu ódio e sua intolerância.

Durante estes quase 15 – difíceis, mas cada vez mais esclarecedores – anos, sempre totalmente indefesa, tenho sido vítima, ininterruptamente, de pelo menos três tipos diferentes de verdugos:
  1. O governo cubano, principal e implacável verdugo, que aplica seus instrumentos sutis e explícitos de violência psicológica e física, contra os que, como eu, temos dito basta! à colonização de nossas mentes e nossas almas, conscientes de que “não há servidão mais vergonhosa do que a voluntária”.
  2. Os idólatras do regime, que fazendo uso das bondades da democracia em seus respectivos países, vociferam contra o capitalismo, ao mesmo tempo em que vivem como capitalistas. Os que rasgam as suas vestes, quando aqui em nossa própria Pátria, fazemos uso do direito à liberdade de expressão que nos assiste, e criticamos o indiscutivelmente criticável. Os que pregam teoricamente sobre direitos humanos e paz, e em uníssono reverenciam um governo de partido único, apegado ao poder, implantado definitivamente em Cuba; e que envolveu seu povo em um número indefinido de guerras no exterior. Estes fariseus contemporâneos consideram como seus inimigos pessoais a todos os que o regime classifica como inimigos, e se convertem em nossos verdugos, fazendo-nos alvo de ataques infundados, cruéis e sem fundamento, sem importar-lhes o dano que causam.
  3. Alguns cubanos, felizmente a minoria, que jamais criticaram o governo, na primeira oportunidade fugiram para a democracia, utilizando as portas abertas em numerosas nações, graças às lutas sustentadas durante meio século por compatriotas abnegados e de valor. Esses cubanos de moral dupla, beneficiados pela liberdade que não conquistaram com seu próprio esforço, e outros que ainda permanecem em Cuba, se erigem em juízes e verdugos. Quais porta-vozes servis do comunismo caribenho atacam e caluniam aos que, mais cedo ou mais tarde, nos atrevemos a levantar a voz aqui em Cuba, em defesa, não só de nossos direitos, como também dos direitos de todos, inclusive dos direitos de nossos verdugos e agressores, e dos daqueles que optam por um silêncio humilhante e cúmplice ante tanta ignomínia. Sinto muita pena dessas pessoas dominadas por um ódio irracional, e que, contra toda a lógica, beijam as garras que os ferem e condenam o pensamento e a palavra daqueles que os defendem.

Tenho recebido também críticas de alguns cubanos respeitáveis, que com louvável clareza, vislumbraram muito cedo o perigo que ameaçava a nossa ilha, permaneceram presos por muitos anos por sua luta em prol da liberdade. Agora, estabelecidos no exílio, mostram incompreensão em relação aos que, como eu, tardamos em avaliar, em sua justa medida, a verdadeira natureza do regime. Opino humildemente que, com uma atitude de maior tolerância cristã, estes compatriotas poderiam ajudar mais eficazmente a imprescindível união de todos os que anelamos uma Pátria nova, sem os vícios e injustiças do passado, e sem o horror do presente.

É uma triste e desalentadora realidade, ante a qual cabe perguntar: Que podem esperar os que agora decidam dar um passo similar ao que eu dei dentro de Cuba? Que é que a própria nação pode esperar, se nós, cubanos, nos agredimos uns aos outros? Que pode esperar o país, se os cubanos – manipulados, alienados e intoxicados pelo ressentimento, mentiras, ódio, intrigas, e incapazes de definir a única causa de sua longa via crucis – desperdiçam suas energias, tentando destruir aos que – indefesos, ameaçados, e como no meu caso, sem aspirações pessoais – dedicamos nossos humilíssimos esforços para a cessação deste suplício que devastou a Pátria?

Será que não compreendem que Cuba necessita urgentemente de atitudes cristãs que somem e unam, e não de condutas intolerantes que diminuam e dividam? Será que não compreendem que o nobre e sofrido povo cubano necessita e deseja ouvir palavras de perdão, de paz, de sossego, de esperanças; e não um discurso beligerante, agressivo, intrigante, ofensivo e insultante, como o que prevaleceu nesta ilha durante meio século? Certamente é uma triste e desalentadora realidade.

Não obstante, com os meus mais de 65 anos, enferma e sozinha em Cuba, continuarei minha modesta missão em favor do que considero melhor para meu país, sob a implacável vigilância de meus verdugos, e apesar de meus verdugos. Trato assim de ir saldando minha dívida com minha consciência, com minha inocente e torturada família, e com a terra em que nasci.

Alegra-me contar com este espaço, que me permite interconectar-me com o mundo, e que dedico a minha adorada família: filho, nora, netos e mãe. Aqui apresentarei regularmente meus testemunhos, comentários, opiniões e variados artigos. Em relação a esses textos, desejo esclarecer o seguinte:

– Consciente dos riscos que assumo, faço uso, aqui em minha Pátria, como o tenho feito desde 1994, da liberdade de consciência e de expressão que Deus me concedeu ao criar-me livre. Dos meus pais aprendi a defender minhas idéias, a respeitar as idéias alheias. Aprendi que o exercício da crítica é mais digno e valente quando se realiza de frente.

– Os textos que aqui apresentarei, procedem de duas fontes verídicas e reais. Primeira fonte: as quase sempre complexas e muitas vezes traumáticas experiências vividas, desde a idade de 15 anos, dentro desta sociedade à qual dediquei o melhor de minha juventude, nas nobres profissões do Magistério e da Medicina. Segunda fonte: as experiências pessoais destes difíceis e instrutivos quinze últimos anos de cativeiro sem grades, de agressões, de escárnios e de dispersão familiar.

Com a ajuda de Deus, essas publicações periódicas só terminarão quando concluir minha vida. Tenho a esperança de que constituirão mensagens de alerta sobre a terrível realidade do sistema ideológico, político, social e econômico no qual transcorreu a maior parte de minha vida.

do blog de Hilda Molina. Tradução :André F. Falleiro Garcia